quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quanto a mim...

Quanto a mim....estou bem, tentando superar esses traumas bobos e enraizados que me fazem todos os dias questionar tudo e todos, inclusive e principalmente a mim mesma...
Quanto mais tento sair mas me afundo nesse pântano de lembranças e desejos interrompidos. E confesso que invejei muita gente por muita coisa e que culpei quem nada podia fazer mas que tudo fez pra me manter, segura.
E se a segurança não é tão verdadeira e agradável quanto dizem ser a inconstância, a experimentação e a liberdade, ela foi tudo o que eu tive, é tudo o que tenho, uma única opção. Agradeço por ela...
Mas ainda há essa insegurança que vinha de fora, e agora vem de dentro, derrentendo e passando por entre as grades das prisões onde coloquei todas aquelas palavras duras, todos os olhares e risos, pra vir tirar meu sono, meu foco, meu despertar...minha energia.
As palavras doces, não...estas ficam guardadas no meu equivalente porta-jóias emocional, o qual abro pra me enfeitar quando a escuridão tenta me engolir, me sufocar...
Muito bem dentro do que se pode considerar bom pra alguém melancólica, desconfiada, ranzinza, solitária, saudosista, às vezes simpática... vivendo dia  após dia essa eu que me inventaram na TV, na escola, nos contatos físicos, amorosos, virtuais....identidades que se sobrepõem a cada vez que consigo tirar um desses numerosos véus diáfanos e invisíveis que me cobrem e me amarram a todas essas coisas, expressões, gestos, palavras, atos que não gosto, mas que são meus...só meus...a cada véu arrancado tantos outros ainda por tirar...
Não me identifico, não me encontro, não me procuro...ou minto.
Não os culpo, não há culpa...há só essa fragilidade inevitavelmente paradoxal que me leva a fingir suportar tudo, mesmo sabendo que a menor brisa se torna um redemoinho de dores aqui dentro, aí fora, e em tudo o que me cerca...levanta poeira e desorganiza tudo de novo.
Será possível reconstruir após tamanha desconstrução pós-ultra-high moderna-tecnológica-científica?
Abrir os olhos (externos) para o mundo (externo) doeu...escutar minhas construções sonoras internas, por sua vez, é uma tortura...talvez necessária, meio V de Vingança...
Gosto dessas referências bobas que sempre faço...

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