segunda-feira, 6 de junho de 2011

Daí eu resolvi postar aqui alguns dos vídeos de movimentação política aos quais tive acesso no facebook, youtube, etc...

Tentar criar um arquivo...sei lá, deu vontade e fiz...acho que pode ser importante....

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Talvez...

Talvez se eu fosse menos dura, menos áspera, menos inflexível...mas eu preciso me manter inteira. Flexibilidade demais pode levar à ruptura, e foi muito difícil construir isso tudo. 
Talvez se eu nunca tivesse aberto os olhos e nunca tivesse que sentir essa dor todos os dias quando vejo em cada olhar, no meu olhar, o desespero, a falta de esperança, o desejo, o ódio vermelho e borbulhante...
Talvez se eu nunca tivesse notado o quanto esse estado de coisas gera, dia após dia, mortes, minhas, suas, dor e desespero.

Talvez se eu não tivesse visto o quanto de responsabilidade me imputam, e quão pouco tempo me dispensam,  não pra ajudar a carregar o fardo que carrego, eu o escolhi, mas pra ouvir, pra falar, pra olhar. Se não me dissessem tanto "olhe nos olhos" apenas por dizer... sem verdadeiramente olharem, em seus próprios olhos...nos meus próprios olhos.

Se eu não sentisse dia após dia essa lâmina fria, gelada, cortando meus direitos, minhas escolhas, pior, minhas e de todos os que, na maioria das vezes sem saber, construímos esses carros blindados, esses condomínios fechados, essas roupas bem caras, esses cânceres curados, essas suas vidas bem ajeitadas....
Não fosse sentir na pele, com pedaços de papel, o que os 90% que vivem com 25% sentem, não fosse esse choro, esse entendimento sobre a razão que me faz ser hoje o que sou, que me faz ter tantas limitações, que me machuca, que me deixou, inclusive, só, longe dos meus...

Não fosse isso, não sei o que seria.
Mais sociável, talvez? Menos carrancuda. Menos dura. Mais amigos? Mais leve. Mais interessante? Mais bonita? 
Talvez tantos não teriam se afastado...outros tantos teriam se aproximado. Será?
Talvez esse leitor estivesse não lendo, mas conversando comigo.
Talvez me respeitasse mais, me entendesse, ou não.
.
Não posso mais me desmontar e remontar diferente ao gosto do freguês. Freguês?
(♪ teu cartão não me paga, minha ancestralidade no peito eu não tô te vendendo ♪)...
Essa pós-modernidade desmonta demais...mas tem uma hora que de tanto desmontar e montar, o brinquedo não funciona mais. Saca?

Não fosse o que me construiu, que nos construiu, e as porradas que levei, que levamos.
Diariamente.
Não seria. Não seríamos.

Talvez se nunca tivesse aberto os olhos e enxergado tantos outros, vocês, eles...ainda seria apenas eu. Confesso, prefiro nós. Nós bem feitos...nós difíceis de desmanchar.


Vamos juntos

"Con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

compañero te desvela
la misma suerte que a mí
prometiste y prometí
encender esta candela

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la muerte mata y escucha
la vida viene después
la unidad que sirve es
la que nos une en la lucha

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la historia tañe sonora
su lección como campana
para gozar el mañana
hay que pelear el ahora

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

ya no somos inocentes
ni en la mala ni en la buena
cada cual en su faena
porque en esto no hay suplentes

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

algunos cantan victoria
porque el pueblo paga vidas
pero esas muertes queridas
van escribiendo la historia

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero."


Mario Benedetti


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quanto a mim...

Quanto a mim....estou bem, tentando superar esses traumas bobos e enraizados que me fazem todos os dias questionar tudo e todos, inclusive e principalmente a mim mesma...
Quanto mais tento sair mas me afundo nesse pântano de lembranças e desejos interrompidos. E confesso que invejei muita gente por muita coisa e que culpei quem nada podia fazer mas que tudo fez pra me manter, segura.
E se a segurança não é tão verdadeira e agradável quanto dizem ser a inconstância, a experimentação e a liberdade, ela foi tudo o que eu tive, é tudo o que tenho, uma única opção. Agradeço por ela...
Mas ainda há essa insegurança que vinha de fora, e agora vem de dentro, derrentendo e passando por entre as grades das prisões onde coloquei todas aquelas palavras duras, todos os olhares e risos, pra vir tirar meu sono, meu foco, meu despertar...minha energia.
As palavras doces, não...estas ficam guardadas no meu equivalente porta-jóias emocional, o qual abro pra me enfeitar quando a escuridão tenta me engolir, me sufocar...
Muito bem dentro do que se pode considerar bom pra alguém melancólica, desconfiada, ranzinza, solitária, saudosista, às vezes simpática... vivendo dia  após dia essa eu que me inventaram na TV, na escola, nos contatos físicos, amorosos, virtuais....identidades que se sobrepõem a cada vez que consigo tirar um desses numerosos véus diáfanos e invisíveis que me cobrem e me amarram a todas essas coisas, expressões, gestos, palavras, atos que não gosto, mas que são meus...só meus...a cada véu arrancado tantos outros ainda por tirar...
Não me identifico, não me encontro, não me procuro...ou minto.
Não os culpo, não há culpa...há só essa fragilidade inevitavelmente paradoxal que me leva a fingir suportar tudo, mesmo sabendo que a menor brisa se torna um redemoinho de dores aqui dentro, aí fora, e em tudo o que me cerca...levanta poeira e desorganiza tudo de novo.
Será possível reconstruir após tamanha desconstrução pós-ultra-high moderna-tecnológica-científica?
Abrir os olhos (externos) para o mundo (externo) doeu...escutar minhas construções sonoras internas, por sua vez, é uma tortura...talvez necessária, meio V de Vingança...
Gosto dessas referências bobas que sempre faço...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cansada de ser perguntada
Por mim mesma, pelos meus alter-egos...pelos outros e seus egos....
É minha hora, é minha vez...
E você?
O que te faz feliz? O que te faz sentir vivo, o que te faz vibrar?
Sentir o vento no rosto, viajar?
Ser diferente? De que forma, diferente como?
Auto-alimentar o próprio ego com ações sem sentido? Além da auto-alimentação do próprio ego com mentiras...resoluções falsas, deitar a cabeça no travesseiro de enganações e descansar?
Roupas, luxo...dinheiro (desejo disso tudo, afinal uns têm justamente porque a maioria não tem)
Status...mansão...fama...(gente, fama!!!!)
Sem sentido.
O que te faz querer melhorar, o que te faz querer mais?
E melhor?
O que te faz sentir a vida diante daquele ou daquilo que só existe? E que não pode viver, só pode existir daquele jeito, estar ali, fazendo aquilo, daquele jeito, senão nem existiria...
(Viraria manchete de Brasil Urgente e só, tai a fama que conseguiu...
“♪ Ele disse que chegava lá, olha aí♫”)
Como você sente essa vida, esse corpo, essas imagens?
O que você faz de útil?
A imagem da favela, do prédio, do ônibus lotado....
O que é útil? O que você faz de fútil?
A imagem do executivo na paulista, da estrela global, do camelô, do chinês, do boliviano...
O que te fez virar e esquecer tudo aquilo que havia se prometido um dia?
O que te faz transformar realidades inaceitáveis em normais, e normais em virtuais, cibernéticas, hipócritas?
O que te faz viver sem esperança na esperança de ter esperança de ser o que chamam de “alguém”?
Aquele alguém que vai viver de sugar outro alguém...isso sim..
Qual é a medida das tuas coisas?
Sua felicidade? Sua tranqüilidade? Seus sapatos?
O que te leva a crer que de alguma forma isso tudo vale a pena...
O que te faz crer que você vale a pena, e outro não...
O que te faz crer que é mais merecedor de vida?
Desde quando você quer ter mais do que quer ser pra acreditar que é diante daquele que julga não ser...por não ter...?
O que te faz crer?
O que te faz proteger as baleias do Himalaia...e ignorar, por medo, o moleque de boné aba reta que senta ao seu lado no busão? Ele é menos fofinho?
Por que tantos eus? Por que tantos vocês? Por que tão poucos nós?
Se o que eles fazem nos atingem diretamente?
O que te transformou num “bom partido”, num bom investimento...
Numa simples coisa que quer possuir outras coisas
O que te faz?
O que te fez?
O que te fará?
O que você fará?



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

24/02/2011

sempre assim...de repente vcs re-aparecem...de repente, não mais que de repente nos momentos em que eu mais precisava...nos momentos em que eu mais queria...

Daí a gente vai e assiste a uma aula juntas...coisa banal, mas que com vcs tem aquele quê especial - foi assim que nos conhecemos...aquele ar diferente que me traz toda aquela saudade de estar todos os dias juntas entrelaçando mais nossos nós, tão bem enlaçados e firmes, que tudo, absolutamente tudo não podia ser diferente do que é hoje.

Longe...mas perto. A mesma universidade - sonho antigo. Os mesmos sorrisos... os cabelos, as roupas, as atividades, os deveres são diferentes...mas somos nós...aquelas meninas FT maníacas, que queriam e ainda querem mudar, fazer diferente...e não tô falando só da tendência gaucheque temos (embora muitas vezes não queiramos admitir, convenhamos! rs)...tô falando da sensibilidade característica, que faz nos conseguir esses encontros em momentos específicos, e nos apoiarmos, e discutirmos....não precisar falar...
Tô falando dos sussuros entre os eventos sonoros... alta sensibilidade e especificidade....

Crescendo, mudando, mas mantendo a essência...lindas...lindas demais! Beleza em todos os sentidos...vem de dentro, ilumina...
Faz bem...traz paz na inquietude dos problemas Unifespianos ou não, traz carinho pra momentos onde é preciso estar duro e resignado...o contraponto necessário pra seguir, pra continuar as lutas diárias internas, externas, profissionais, institucionais...

Obrigada pelo ouvido, pelo olhar, pelo toque, pelas palavras, pela presença...


Como diz Camila - e só podia ser ela:
a vida enlaçou a gente
dessa teia ninguém sai não
sorte, sincronicidade
a vida conspirou pro nosso encontro


Bendito seja 2007...E que assim permaneça, até o fim! Amém!
Faltam palavras pra explicar tudo isso...faltam e se eu continuar pode ficar piegas, paro por aqui...tenho certeza que já me entenderam bem...




terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

El grito de las 2 de la mañana

Eu era novinha...era muita liberdade a meu ver...uma liberdade bonita de ver,

liberdade jovem! Cheia de energia! Mundo novo, gente nova...

Gente que riu das minhas angústias, riu na minha cara das minhas mudanças...

Mas por fim...me aceitou, ou fingiu que aceitou...

Daí a gente se indignava contra o mundo e queria lutar contra tudo o que achasse errado

Nem que nossa luta fosse apenas usar um all star rasgado e sujo – a família sofreu com os all stars velhos, as calças rasgadas, as roupas de menino...

E travávamos uma luta diária,infinita, contra o preconceito, contra o senso comum...

Teve o “eu não ligo pra essa merda de moda! Dane-se a moda e essas modelos, eu sou assim e pronto!” – e os pais se perguntavam: meu Deus, o que aconteceu?

E o grunge alto...toda aquela raiva colocada pra fora de maneira violenta

Tão intensamente violenta!

Eu sou assim e pronto...pronto? Quantas vezes ouvi? Pronto pra que?

Pra ver que não era eu quem copiava (o sistema de lucro sequer me permitia/ permite copiar tendências) , e que não era/sou eu/só eu que precisava ser “guaraná antártica”

É tão estranho quando a gente entra em contradição com tudo o que dizia antes

E quando vê essa contradição...hum...

A vontade é julgar...e jogar na cara...Era realmente liberdade? Será agora uma prisão?

Da mesma forma como fui julgada quando passei por processo semelhante...

A diferença?

O amadurecimento...que veio...ou não.

Fases, fases importantes...cresci...passou...

Passou a vontade de ter o corpo igual ao da amiga, as roupas da amiga...a vida da amiga, passou...de fato!

A vontade de ser rock star (não) passou...

Não passou a raiva...não a vontade de lutar contra o que é errado...isso permanece, quero que permaneça...

A baixa auto-estima tem passado...aos poucos...

Ficaram boas lembranças, outras doloridas

E a vontade que tive de berrar tantas vezes...mas o medo e a falta de amor-próprio tão sufocantes que...

Eu baixava a cabeça...que nem uma tonta...me resignava...

É bom mudar...faz bem, quando é pra evoluir, quando nos leva a analisar determinadas situações de forma mais profunda, mais concreta...

Quando nos faz olhar pro outro por dentro...quando nos faz ver nos olhos do outro o mesmo sofrimento inerente ao ser humano que todos vivemos..

Pena que geralmente o que motiva tal mudança radical – ou a falta dela - vem de fora, e não de dentro, naturalmente levando a outro estado de alienação, outro estado de sonolência...e inércia...

Ahhh, como é cômoda a inércia...

Nos faz pensar que estamos em movimento estando parados...na verdade essa coisa de movimento e estática é bem relativa...deixemos-na pra lá...

Geralmente é tentativa de se adequar, se encontrar em algum lugar... de se sentir parte, desejo de pertencer...de possuir algo de que se possa orgulhar...

De se afirmar, resumindo...de poder dizer: Eu sou foda!

Foda em que?

Tão pequenos perto desse universo gigante...

Engrenagens de um sistema que desconhecemos...

Auto-estima é importante, mas é diferente de arrogância...dicaeternaatodosnós

Muitos passamos por isso em algum momento, todo mundo se encanta por algo e segue...algo ou alguém

Há de haver superação...ou não...

Até onde entra o outro nas nossas vidas?

O outro não só como pessoa...o outro como entidades...como influências...

Cabe perguntar: ... ... ... ...?!

Não...nunca se sabe sob quais defeitos está erguida uma personalidade...(C.L.)

Melhor deixar pra lá...como já deixei pra lá tantas questões inadiáveis de mim mesma..

Sorrio, aceito e respeito...e, dessa vez, exijo respeito...

Meu caminho está só começando...e o de muita gente também...

Se ontem eu precisava ser guaraná antártica, hoje me orgulho de ser um suco de frutas bem tropical...com toda a brasilidade que me convém...

Com direito a samba, chorinho...uma mistura dessas bem brazucas...

E não um mero refrigerante produzido em série...

Ter é muito pouco... estou, isso sim, contida num processo, sem volta...

O outro tem lugar em mim, a diferença, é que meu lugar em mim agora é o maior...

Sou o que sou – tudo o que é enquanto é, não é, por que muda...

As vidas tomam sentidos diferentes...

De tudo, em nós, fica um pouco... [resíduo!]

Somos um imenso mosaico de dinheiro, comida, células, afetos, impressões, choro, palmadas, alegria..sentimentos...e continua...

“Originalidade” (¬¬’) não existe... e não me venham tentar provar o contrário...

São milhares de anos de história, nada é totalmente novo!

Em mim...ficou um pouco de tudo isso...e um pouco de tudo ainda vai ficar...

Ficou? Com certeza ficou...

Do que era e hoje é, entretanto

Pouco, muito pouco...