quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Insônia

Uma angústia muito grande...
Fazia tempo que não sentia...a ponto de não poder dormir
Não conseguir...
Uma impotência...
Tão grande...
Nós tão pequenos..
Tão miserável e ridiculamente pequenos
Nunca...
Daquelas sensações inesquecíveis
Doloridas como uma farpa no polegar
Inexprimíveis
Indizíveis...
Inexplicáveis; como o próprio céu amanhecendo
Um novo dia...a cada dia.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ao mestre...com saudades

A quem me fez através da literatura, sentir orgulho de minhas raízes

De ser descendente de Fabianos fortes, bravos...

Que me ensinou a ver a delicadeza das vidas secas que nos caracterizam

Vida que foi dura comigo, com meus próximos...com meus brasileiros

Ao responsável por me mostrar a beleza existente na seca...

Na cheia...na guerra...nas páginas...

De uma simplicidade tamanha...

É, professor...sem você – se me permite a intimidade

Ler não teria nunca o sentido que tem...

Não seria tão bonito...tão necessário...

Àquele que coloriu meu mundo com palavras

Que me ensinou a descobrir, na sutileza dos versos, a alma humana

Que me ajudou a me enxergar melhor...

Em Clarice, Guimarães, Graciliano Ramos, Drummond...

A me enxergar em mim, no que eu fazia, no que andava, no que movia, ria...

Era ali, nas histórias contadas por você que eu me via...e me aceitava, e me entendia

E isso, Teixeira, você talvez nunca saberia...

A quem disse coisas que até hoje reverberam em mim

E em muitos dos meus colegas, aos quais encantou, de formas diferentes,

Mas encantou...e ainda encanta...

A quem se foi tão precocemente

Que sequer pode isso tudo ouvir...

Tão rápido...

Que sequer pude me despedir...

À quem mudou minha forma de ver o mundo

...e que foi, no mundo das artes e da literatura, para mim,

o equivalente a um irmão mais velho...quase um pai...

Muito obrigada, F.T....

Muito obrigada,

Mesmo...

Da aluna teixeiral –nem tanto

Gisele